Relato sobre as Apresentações de Estágios e Afins

Padrão

Primeira Semana

11.12.12 – terça

*1 – 20h – Luisa Araruna fala de reabilitação para deficientes físicos na Rede SARAH.

Ela tocou em questões como o que é ser psicólogo na reabilitação. Como os pacientes, agora com uma deficiência, viveriam no contexto deles que já existia? Apresentou alguns casos bem legais (deu mais visibilidade aos impasses gigantes da prática). Falou de uma concepção de trabalho onde aquilo não deveria parecer um tratamento e como a equipe tentava dar conta desse modelo. Promovem palestras. Falou também da remuneração (ou seja, já não é estágio obrigatório), e de como fez pra conciliar as matérias. Sendo um hospital público ela falou que fez sentido com sua preocupação (política) de reverter pra sociedade o investimento nela por estar numa federal!

13.12.12 – quinta

*2 – 13h Denise Luz apresenta intercâmbio, Oriximiná e MST.

Ela estava na dúvida se o MST geraria interesse então foi comunicado que ela poderia falar do MST mas, o foco foi mais em intercâmbio e Oriximiná.

Intercâmbio: ela fez uma comparação da graduação de psicologia daqui e a da FRANÇA que surpeendeu bastante. Como fez pra conseguir a bolsa da UFF e para as matérias que ela fez lá contarem em seu currículo daqui. Fez críticas importantes sobre os acessores da UFF para o intercâmbio e comparou com os da França que a recebeu! Disse todos os passos iniciais desde se candidatar ao intercâmbio até como ela fez pra aportar em outras terras. Falou das condições do aluno estrangeiro lá e fez uma análise de custo! Há estágio para estudantes de modo geral.

Oriximiná: ela fala da nossa ignorância quanto aos projetos de extensão na UFF e como é importante partir do aluno essa procura. Falou de como ela atuou com psicologia lá e quais os cursos que mandavam mais alunos. Explicou a concepção de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e de onde vem isso (de qual política)! Falou de como é a cidade em que ocorre o projeto no norte do Brasil e sobre o hospital da UFF que tem lá. Explicou também como agora é mais fácil de entrar já que o prof. Johny está com pesquisa na UFF.

*7 – 20h Adrielly Selvatici apresenta clínica trans.

Falou de como surgiu a clínica transdisciplinar, do grande papel da UFF nisso e dos professores que ali atuam. Explicou que não é um princípio de trabalho anti-psicanálise, algumas diferenças e de como foi seu encontro com os pacientes. Falou de planos de sentido, da filosofia da diferença, dos efeitos dos encontros, do papel não neutro do psicólogo/graduando, da mortificação do sensível (posicionamentos políticos e filosóficos de uma clínica). Falou dos eixos de funcionamento do estágio e de como é a seleção. Explicou as formas de terapia que tinham, da aposta no coletivo e código de ética.

*8 – 21h Phillipe Rocha apresenta estágio no HUAP (Hospital Universitário Antônio Pedro).

A apresentação rolou bem tarde então foi breve devido aos cansaços do longo dia! Explicou como são os encontros iniciais, sobre as fichas e dados básicos. De como não há uma coleta de dados, mas sim se fazem perguntas terapêuticas e deu exemplos de como funciona dentro do hospital. Falou da função do psicólogo, da importância da diversidade de membros na equipe, da função até da cor de suas roupas e do programa voltado para cuidar dos funcionários.

Segunda Semana

17.12.12 – segunda

*3 – 13h Suanny Nogueira fala do SPA e do CAPS.

A apresentação foi bem breve pois remarquei para um horário que avisadamente seria difícil de chegar. Acabei falando mais do estágio no CAPS Herbert de Souza, da situação política que vivia a Rede de Saúde Mental (da qual o CAPS faz parte) na época e das repercussões que isso tinha na clínica (tudo se relaciona!). Falei dos primeiros encontros e estranhezas com o trabalho com os ditos loucos e dos outros dipositivos da rede (residência terapêutica, enfermaria, etc). De como o trabalho com a loucura mudou meu posicionamento na vida e da perspectiva de trabalho com a população pra gerar outra cultura que acolha a diferença que a loucura traz. Vale a pena apresentar de novo e mais sobre a rede. Quem pode?

*6 – 20h Leonardo Mendonça falaria do CRIAA. Mas acabou falando bem mais do NACA…

… um trabalho com crianças que interessou muito todo mundo. Por isso é importante avisar antes os trabalhos no qual atua e pode falar porque sempre há interessados. O NACA – Núcleo de Atenção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Maus Tratos – é em São Gonçalo (alô São Gonça!!). Ele falou de como ele entende e encara as situações de violência (suas concepções políticas no trabalho) e deu exemplo de alguns casos. Da delicadeza necessária ao trato com a criança diante desse tipo de assunto e de por que o NACA demora mais para investigar os casos do que quando a justiça age sem ele, compondo seu diferencial do depoimento sem dano. Faremos mais uma apresentação do CRIAA também. Quem pode?

[Pesquisando na internet achei que o NACA é um projeto do Movimento de Mulheres de São Gonçalo (MMSG), mostrando a relevância dos movimentos socias inclusive propiciando espaço pra clínica. Site MMSG e NACA: http://www.movimentomulheressg.com.br/proj_naca.htm%5D

18.12.12 – terça *9 – 13h Raphael Louro e Lívia Halfeld também apareceu para apresentar Empresa Jr.

Sendo um debate super acaloUrado na UFF, antigo, é preciso mais do que deixar questões em aberto (porque elas já pululam à beça no espaço!) dar algumas explicações diretas já!

Com essa apresentação ele pôde atualizar um pouco em que pé está a concepção da empresa e mostrar as mudanças desse projeto em virtude do debate polêmico que já ocorrera no curso, entre outras interferências.

POLÊÊÊÊMICA!   a empresa não tem fins lucrativos, os funcionários não podem ser remunerados. Dentro do compromisso da universidade com ensino, pesquisa e extensão, a empresa se enquadraria politicamente como projeto de extensão, pois retornaria um serviço (a custo baixíssimo, bom no caso de pequenas empresas) para a sociedade que banca a universidade federal ao pagar impostos. Se a FEC (fundação da UFF) bancar os projetos não retorna o custo para o contratante, só o serviço. Explicou cada trabalho que a empresa pode prestar (tipo recrutamente e seleção, avaliação de desempenho, etc). Precisa que um psicólogo professor da UFF faça parte. Seus cargos não são hierarquizados e sim células com funções diferenciadas (célula da presidência – faz as relações públicas da parada -, célula de marketing, etc). Qualquer um de fora pode participar, a diferença é: se for em todos os projetos se torna membro da empresa, senão, só membro de apoio se participar de um só projeto, escolhendo assim em qual célula ficar. Fala de como a existência da empresa agiria contra a ação alienante dos estágios em RH já que eles não seriam só obedientes a um patrão sanguessuga, mas sim tomariam a frente do processo. A empresa não seria dos elaboradores, mas sim do curso e assembléias neste é que determinariam que projetos pegar. Os modos de avaliação desse trabalho faltam ser decididos. O projeto ainda está em construção.

*4 – 20h Mayara Gonçalves fala de RH e com Victor Picanço fala de fenomenologia.

Fenomenologia (May e Picanço): falam da sua concepção de “clínica” e da problemática que existe na intenção de “ajudar as pessoas” quando se entra pra esse trabalho. Falaram sobre abertura de sentido, do conceito de “ser” de Heidegger e como ele funciona nas práticas, sobre o problema de entrar numa de “dar orientações”, sobre o que significa dizer que somos corpo, a relação mente e cérebro e porque a clínica tem esse nomezão. Abordaram também como essa clínica influncia na vida deles. Fizeram breves comparações com a psicanálise atestando que não há uma grande guerra sangrenta com ela.

RH (com Mayara): falou sobre qual o principal perfil que o RH procura ao selecionar alguém. Sobre as diferenças nos processos seletivos de empresas grandes e pequenas tecendo críticas. Das diferenças de bolsa pra quem é de universidade privada e quem é de federal e da fama que a UFF tem na hora de contratar. Falou sobre como lidar com o perfil das empresas e sobre como avaliar se o estágio vale a pena. Contou qual linha clínica na psi se aproximaria mais da prática do RH (tcharãããããm!). Falou do compromisso político das universidades públicas com o tripé ensino, pesquisa e extensão onde se enquadra neste último os cursos grátis do Júlio em RH. Grátis não é porque é promoção, mas sim por expressar uma concepção de universidade contra os cursos pagos, debate antigo na UFF, que tem todo um papel de ser acessível a qualquer aluno, não ceder espaços públicos a iniciativas privadas, etc!

19.12.12 – quarta *10 – 13h Monyse Moura, Gabriela Cabral , Diana Green falam pra que serve esse raio desse D.A. ! 🙂

– Não ocorreu. As apresentadoras foram, mas os calouros avisaram que seria um dia difícil. O nosso querido D.A. já se articula com os calouros sem intermediários e vai marcando encontros!

20.12.12 – quinta: *5 – 13h Vanessa Monteiro e Juliana Lima falam de escola. (Ju tb fala da AFR?). – Não ocorreu. As apresentadoras foram, mas ficou tarde e elas tiveram que ir embora! L Remarca, Remarca!

Terceiro

Avaliação das semanas, dos encontros sem tamanho!

Esclarecendo em primeira mão que veteranos e calouros tem de diferente em suas trajetórias tudo, mas o que estabelece esses nomes não é uma hierarquia e sim uma questão de tempo (quanto tempo se está no curso)!

Das 10 apresentações, apenas as duas últimas não aconteceram (a do D.A. e a que falaria sobre escola)! Calma! Ainda há tempo! Basta estarmos vivos! As apresentações foram muito interessantes em diversos aspectos. Acreditam mesmo que a apresentação era o foco? A meu ver o foco é o encontro! Mostrar como nossas angústias singulares (“individuais”) são coletivas e conseguir passar disso a uma questão política.

Que que tem a ver? “Coletivas”??

Quando os veteranos falam do percurso deles em uma apresentação normalmente sorteiam algumas das suas felicidades pra mostrar, mas também suas angústias e dúvidas. Não faria sentido ir apresentar só os sucessos! Se isso é comum isso quer dizer alguma coisa! Isso diz da UFF (que interfere com suas trocas de ensinamentos), das instituições em que vamos atuar (que sempre vão ter prós e contras), de nós (que somos frutos de outras histórias e de como nos posicionamos nesses cenários), dos outros (o pessoal dos serviços que já vão estar lá há mais tempo do que você, provavelmente), etc. O encontro disso tudo se dá dentro de uma política (tanto as leis que fizeram o CAPS ou a escola existirem; quanto as concepções de trabalho que existem naqueles lugares e a sua) que pode ser interrogada a partir do coletivo que ali trabalha (aí se produzem posicionamentos políticos também). E as questões geradas no trabalho muitas vezes são impasses fruto de uma relação que existe ali e não algo muito inédito e nesse sentido ela também se coletiviza. Normalmente o que ocorre ali sofre influências de muitas concepções de mundo que geram aquelas práticas daí se tornarem cada vez mais questões sociais. E daí o trabalho que parecia só nosso toca no mundo!

Estágio pra que, gente?

Primeiro porque tem que ser! É condição pra gente se formar!

Imagino que se todos que foram falar dos seus estágios/pesquisa/extensão se expuseram dessa forma (na forma dos prazeres, angústias, deveres) fica claro que todo encontro de um ser que estuda e que entra pro estágio para enfrentar uma nova prática (além da prática-teórica, de estudar) vai ter questões no encontro/confronto das instituições que vivem no estudante com aquelas nas quais eles vão trabalhar. E aí está a importância do estágio: “cair na real”! Ou numa parte dela… e depois trabalhar na real, já formado, pra ganhar dinheiro de verdade porque estágio obrigatório não é remunerado nessa casa (UFF)!

Perdas, ganhos, desenganHos:

Diferente de quando estamos nervosões pra apresentar vários dos mil trabalhos que se fazem nesse curso (o que nos leva a pedirmos pros amigos de verdade a não fazerem perguntas no final!), com os calouros o objetivo é que perguntem!

Os calouros, com o passar das apresentações, iam levantando questões que retomavam as apresentações anteriores. Se via também um esforço de compartilhamento da experiência por parte dos apresentadores que tentavam se rearticular pra responder as vezes coisas muito indefinidas no trabalho. Todos esses movimentos acho que estabelecem o sucesso dos encontros! A troca era real!

Articular essas apresentações sozinha sempre é difícil. E ter apresentações quase todos os dias antes e depois das aulas dos calouros ficou bem pesado, apesar de termos decidido isso juntos. Foi um pouco intencional porque o medo era não conseguirmos voltar as apresentações depois do recesso, na multidão de bagunças que o governo gerou ao termos que fazer a greve na UFF. O atraso pra chegar dos calouritchos prejudicou mais a apresentação em escola, porque as meninas que iam apresentar tinham compromisso depois e eu estava viajando a essa altura. Sem contar o dilúvios, as aulas na engenharia que deixavam eles longe da gente já que fica a maior parte do curso no ex-lindo bloco N (hoje submerso em obras e águas)!

Pretensões ao se organizar esses encontros:

Atender a uma questão antiga dos alunos no curso que era falar de mercado de trabalho. Então, o objetivo concreto é falar dos estágios e maaaaaais: das pesquisas, extensões, monitorias, estágios não obrigatórios e da profissão dos já formados! O objetivo ideológico é trocar experiência, acolher angústias e que nós sejamos personagens importantes pra nós mesmos, pro nosso trabalho e no mundo! Daí o viés político das nossas ações terem que entrar em debate junto com aquilo que sentimos. Restaurar um pouco da tradição oral, valorizar os espaços informais de educação e por isso fazemos esses encontros no tablado. Pra podermos também nos misturarmos com outros cursos porque ninguém existe sozinho e a gente sai da faculdade sabendo muito pouco diante da vastidão do universo onde a universidade é só uma ponta!

Como fiz questão de deixar bem claro em e-mail do D.A. e na comunidade do facebook, além das convocação a composição desse trabalho (ajudem a organizar! Eu já me formei!!), nele devemos ser participativos e não nos colocarmos de modo a recebermos ou prestarmos um serviço. Devemos nós mesmos procurar os caminhos possíveis, juntamente, pra dar conta das pontas soltas e sabermos que participar dele é concordar politicamente com a sua realização .

Por: Suanny Nogueira.

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